histórias são como quebra-cabeças constantemente feitos e desfeitos ao longo do tempo. em 1576, o escritor francês françois de belleforest publicou, na frança, a história de um tal príncipe amleth. em 1583, exatamente no dia 1º de janeiro, belleforest morreu. os direitos autorais póstumos sobre uma obra duram por setenta anos contados a partir do dia 1º de janeiro do ano subsequente à morte de seu autor. de qualquer forma, bastou que william shakespeare rearranjasse as peças do quebra-cabeça a-m-l-e-t-h de belleforest para que, entre 1600 e 1602, ou seja, em bem menos tempo do que o tempo que se leva para que a obra de um autor morto caia em domínio público, tivéssemos então, na inglaterra, a história do príncipe h-amlet de shakespeare. em relação aos direitos autorais devidos sobre qualquer obra, bertolt brecht procede da seguinte forma: ao artista, é necessária a superação da originalidade autoral como preceito de criação. no dia 1º de janeiro de 1653, a família de belleforest comemorou o 70º aniversário de sua morte; um ano depois, seu quebra-cabeça amleth caiu em domínio público, e bem antes disso, fora desfeito por shakespeare, aquele que superou originalidades autorais, para em menos de setenta anos ser refeito.
[não há aqui, evidentemente, nada de novo.]
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